Como amolar faca

A faca pode ter vários usos: de objeto para o esporte e lazer a instrumento de uso profissional. Seja qual for a sua utilização, para ser utilizada adequadamente, a faca precisa estar corretamente amolada. Veremos, então, como amolar uma faca corretamente.

Mas antes de aprendermos a amolar, precisamos explicar o que é fio (ou gume) da faca.

 

Fio ou gume da faca

O fio ou gume da faca é a sua capacidade de cortar com precisão, facilidade e perfeição uma substância determinada:

  • Precisão é o corte efetuado no local escolhido e na profundidade e espessura desejadas;
  • Facilidade é o corte efetuado com o um mínimo de esforço ou pressão sobre a faca e;
  • Perfeição é o corte em que as fibras da substância são cortadas e não rasgadas ou esfiapadas.

O fio de uma faca é definido pelo ângulo de afiação: quanto menor o ângulo, mais cortante será a faca; por outro lado, menor também será a duração do fio devido ao aumento da possibilidade dele “virar” ou até mesmo “quebrar”.  Na prática, os seguintes ângulos são utilizados:



  • 15 a 17 graus: navalhas, lâmina de barbear, bisturis;
  • 17 e 20 graus: ideais para facas utilizadas para cortar carne e peixe;
  • 20 a 23 graus: facas de caça, canivetes, etc.;
  • 23 a 25 graus: facas de maior porte e pesadas;
  • 25 a 30 graus: facões, machados, cutelos, etc..
figura mostrando diferentes ângulos de afiação de instrumentos de corte

Conforme o instrumento de corte existem diferentes ângulos para sua afiação

Por isso é que não podemos utilizar um fio com ângulo pequeno em facas que irão produzir cortes através de golpes tais como facões, peixeiras, etc.

Independente do ângulo, o fio pode estar:

  • correto (na imagem corresponde à letra “b”);
  • rombudo (na imagem corresponde a letra “a”) quando a faca não terá condição corte com precisão, facilidade e perfeição e;
  • “virado” (na imagem corresponde a letra “b”)
figura mostrando diferentes situações de uma lâmina

Uma lâmina pode estar com diferentes estados e precisa de correção antes de ser afiada

Quando amolamos uma faca podemos ter duas situações distintas:



  • passar do fio rombudo para o fio correto (passar de “a” para “b”). A essa operação damos o nome de afiar. Para isso necessitamos retirar material (metal, cerâmica, etc..) das laterais da faca com a utilização de pedras de afiar ou outro instrumento com a mesma finalidade  e;
  • desvirar o fio da faca (passar de “c” para “b”). A essa operação damos o nome de assentar. Nela  quase não é retirado material da faca e são utilizados chairas ou assentadores..

 

Como assentar o fio da faca

Antes de afiar uma faca é necessário avaliar o fio: se ele estiver bom e somente “virado” uma chaira bastará para amolar a faca. Veja o vídeo abaixo de como utilizar corretamente uma chaira.

Esfrega-se, sem aplicar pressão excessiva, o fio da faca contra a chaira, mantendo-se entre elas o mesmo ângulo com que aquela foi anteriormente afiada e efetuando movimentos contínuos por toda a extensão do seu fio e com este deslizando à frente e no sentido do movimento da faca. É indiferente se a faca é movida do cabo da chaira para sua ponta ou vice-versa.

Importante é que a faca seja movida contra o fio, isto é, como se estivéssemos “fatiando” a superfície da chaira. A cada movimento, a faca deve ser alternadamente “esfregada” por cima e por baixo da chaira igualando, assim, a operação de assentamento nos dois lados da lâmina.

Quando ao examinar o fio de uma faca concluirmos que ele está muito gasto ou mesmo inexistente, é chegada a hora de efetuarmos sua afiação.

 Como afiar o fio da faca

Para afiar uma faca precisamos utilizar as pedras de afiar que têm a função de retirar material da lâmina e com isso obter o ângulo de afiação adequado.

Uma boa pedra de afiar precisa ser feita de materiais mais duros que o das lâminas das facas. Quanto mais duro for o material, mais eficiente será a o processo de afiação. Além disso, o tamanho do grão abrasivo (grana) é importante para a eficiência: quanto maior, maior será a partícula de material retirado da lâmina. No entanto, a grana maior deixará uma superfície áspera e rugosa que tenderá a esgarçar as fibras. Para evitar esse esgarçamento, é necessário iniciar a afiação utilizando pedras de grana mais grossa e finalizá-lo com pedras de granas mais finas.



Escala de dureza de materiais empregados nas pedras de afiar (dureza de Knoop)

A escala abaixo mostra a dureza de alguns materiais tradicionalmente empregados em pedras de afiar e de dois tipos de aço muito utilizados na fabricação de facas.

figura mostrando escala de dureza knoop

Escala mostrando dureza Knoop de diferentes materiais

Hoje em dia existem dois tipos básicos de pedras de afiar: as naturais e as artificiais:

  • entre as naturais as mais conhecidas são aquelas descobertas há séculos no Arkansas (EUA), cujo nome é novaculite, e comercializadas no mundo todo como “Arkansas Stones” (pedras do Arkansas). São constituídas de sílica pura, transformada em rocha pelo calo e pressão da crosta terrestre;
  • as artificiais, conhecidas também como pedras de esmeril (rebolos), são fabricadas a partir de grãos de produtos abrasivos tantos naturais quanto artificiais. Os grãos são aglutinados com produtos especiais e moldados em diferentes formas e tamanhos.

No Brasil são vendidas apenas pedras de afiar artificiais.

A técnica de afiação é bastante simples: encostar a lâmina na pedra no ângulo desejado e, mantendo esse ângulo, deslizar a faca contra o fio ao longo de toda a pedra, em um movimento já definido como se fôssemos “fatiá-la”.

Em seguida, repetir o mesmo movimento virando a faca de lado e trazendo-a de volta ao ponto de partida. Repetir os movimentos de vaivém até obter o desbaste necessário ou desejado. Essas operações serão repetidas em todas as outras pedras de diferentes granas a serem utilizadas.

No caso de faca com lâmina curva é fundamental acompanhar essa curvatura durante o processo do deslizamento sobre a pedra, de forma a manter o fio sempre contra o sentido do movimento.

Em lâminas de pequeno comprimento, a afiação pode ser efetuada utilizando-se somente uma das mãos para segurar o cabo; naquelas de maior comprimento, deve-se utilizar ambas, sendo uma no cabo e a outra na ponta da lâmina.



A melhor maneira de verificar se uma faca foi corretamente afiada será testar o corte da lâmina, se possível no mesmo material onde pretendemos utilizá-la.

Caso isso difícil no momento da afiação, no caso de facas de cozinha, caça, pesca, ou mesmo canivetes convencionais, basta testá-los cortando em tiras uma folha de papel. Se a faca efetuar os cortes com facilidade e sem efeito de “serra”, ela estará corretamente afiada.

Alguns especialistas em afiar facas costumam complementar a afiação com duas operações adicionais:

  • passar o fio da lâmina perpendicularmente sobre um pedaço de madeira de lei, procurando cortar suas fibras e não no sentido delas. Essa operação colocará o fio em posição absolutamente coincidente com o eixo da faca e;
  • passar a faca na face de uma tira de couro, em movimentos semelhantes ao da afiação, mas agora com o fio deslizando no sentido do movimento e não contra ele.